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Sexta-feira, Setembro 05, 2008
Legends of the Fall
A loucura ou insânia é segundo a psicologia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados "anormais" pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psicopatologia (fonte: Wikipedia et. al.). Não sei qual a facilidade de se imaginar em tal situação, mas é corriqueiro o fato do ser humano se pegar pensando na amoralidade que essa perda o leva. Claro que sempre policiada pelo chamado senso moral, o cidadão comum flerta diariamente com as decisões que toma, levando sempre em consideração fatores que nunca cogitariam executar, mas que de maneira sumária estão sempre lá, se apresentando enquanto opções, mesmo que para a grande maioria jamais sejam escolhidos. Mas grande maioria não significa totalidade e muito menos unanimidade. E existem estes, da pequena parte da grande massa, que por algum motivo, não interessando qual, ignoram a escolha, talvez o fato de quem têm uma, ou simplesmente executam a mais absurda sugestão pelo fato de talvez funcionarem de contra-corrente ao considerado “normal”. Loucura é somente o ponto de partida para o que o descrito aqui tem para apresentar. Aqui, a compreensão da loucura não tem exatamente lugar, mas sim os diversos braços em que possui, e em especial como ela ocupa espaço nos procedimentos de corrupção, em qual protcolo se corrompe. Essa é a ponta do iceberg do mais alto ponto da carreira de Christopher Nolan, é aqui que falamos sobre The Dark Knight.
Antes de mais nada (eu nunca pensei que seria tão cliché, mas esse fato tem que ser levado em consideração sempre) é preciso esquecer completamente que esse é “somente” um filme de um herói de quadrinhos. Chris Nolan e seu irmão Johnathan ultrapassam essa linha em um atropelo astronômico, tirando o foco do que foi a inspiração para seu roteiro e o colocando em um patamar em que definições tão específicas não conseguem alcançar. O filme em momento algum é seus personagens em concepção, mas sempre em desenvolvimento, e esse é sem dúvida o coloca The Dark Knight como o filme do ano até então. O trio de protagonistas (não o Batman é o nexo entre tudo que acontece, mas não é protagonista sozinho) se apresentam na história igualmente, representando três vértices de um triângulo que envolve não somente a descrita loucura, mas igualmente medo, corrupção e escolhas morais (estas constantes). Falando do roteiro em si, os Nolans pegam o que tinha sido montando até então em Batman Begins, e continuam o desenvolvimento do universo que criaram da mesma maneira crua, mas em nenhum momento rústica. O aparecimento da imagem do Batman fez com que Gotham diminuisse efetivamente suas taxas criminosas. O crime organizado então encontrasse encurralado e encarando unicamente o futuro limitado na cidade, à espera somente de sua efetiva prisão. Em meio a essa forçada ordem na caótica Gotham, aparece a imagem do Coringa. O personagem por si só se intitula o antagonista do personagem principal e é fantástico o modo como isso é apresentado uma vez que a imagem do Batman é quem cria e propaga o aparecimento de loucos e characters destinados somente à derrotá-lo, comrrompê-lo (levemente introduzido na cena inicial onde o Espantalho do primeiro filme – Cillian Murphy, numa pequena participação – continua a atuar. Parece uma homenagem meio distocida ao seriado dos anos 60, mas sem perder o tom). Esse é o Coringa, nada mais do que o agente do caos se infiltrando na ordem desbalanceada que Bruce Wayne proporcionou no momento em que criou seu alter ego. É a maneira natural da natureza humana de encontrar o equilibrio, mesmo que isso soe injusto e totalmente insano. O astuto Coringa está ali, como o próprio Alfred definiu muitíssimo bem, para “ver o mundo queimar”. É muitíssimo bem sacado como o próprio roteiro e a direção de Nolan tentam colocar o personagem como um real curinga, mudando os eventos sequenciais em reviravoltas espetaculares. Tudo no Coringa é grandioso e irônico, num senso de humor negro, doentio e ao mesmo tempo que fascina (com o maior exemplo de suas histórias sobre como ele obteve as cicatrizes que marcam seu rosto. Na primeira versão todos acreditam piamente, apesar da segunda soar muitíssimo mais verdadeira. O problema é que no momento em que a segunda é revelada, não se acredita mais em nada do que o maníaco está falando. A única coisa que fica é a sua frase de efeito: Why So Serious). O personagem é o verdadeiro contraste de alguém que ninguém gostaria de ver na frente, mas que ao mesmo tempo se torna impossível de desviar os olhos no momento em que o acampanha. De maneira análoga, a presença da figura do homem morcego inspira a outros, ou pelo menos fazem com outros se aproveitem do embalo para tornar o trabalho por meios legais efetivo. É aqui que entra a figura de Harvey Dent, o impecável promotor público que junto com Rachel Dawes (antiga namorada de Wayne) tenta avançar como um rolo compressor em cima do crime organizado. O problema é que Harvey se mostra o personagem mais complexo do citado triângulo. Seu personagem flerta anda sempre no limiar moral que todo personagem político é submetido, com o diferencial de que aqui ele flerta moralmente com a vontade de fazer o bem, mas sempre se promovendo com isso. Vemos em Harvey que nada acontece de graça pra ele, sempre há uma certa auto-promoção, um od compensatório pelo seu desempenho profissional. Bem, nada mais natural, em especial quando este é o seu trabalho. Mas o modo como Harvey se aproveita disso é claro e no final acaba por ser o ponto mais alto da derrocada. Não que Wayne não faça o mesmo, mas sua satisfação é pessoal e intrisceca. Isso o protege da corrupção que Harvey está sujeito. E é por isso que o filme na verdade não é sobre o Batman especificamente, mas sobre o desenvolvimento a que Harvey Dent se submete, ele é o vértice no alto do triangulo, o que pende, o seduzido, a perfeita analogia ao que Anakin Skywalker passou se a nova trilogia de George Lucas não tivesse sido tão baixo nível. É nisso que o roteiro se sustenta e por isso que é tão fascinante, sem dúvidas uma perfeita aquisição às premiações da academia, se passar pelo processo descriminativo por ser uma adaptação de quadrinhos.
Falando em premiação, as atuações também são um caso à parte. O roteiro jamais seria tão bem constuido não fossem os perfeitos atores para interpretá-los. Christian Bale interpreta o mais perfeito Bruce Wayne/Batman que o cinema já tomou conhecimento, descamando o personagem de maneira concisa e eficaz. O maior problema de Bale é as limitações que Bruce possui, ele não pode criar em demasia em cima da personalidade já estabelecida e por isso é engolido por seus companheiros de cena. Começando por Heath Ledger é simplesmente impressionante o trabalho de composição dado ao seu Coringa. Aexpressão corporal, que passa do tic nervoso de passar a língua nas horrendas cicatrizes a constante mudança na entonação da voz, independente do evento a que ele esteja passando. Um personagem baseado num anárquico fascinio pelo caos, ele se mostra imprevisível, mesmo que siga um padrão metódico para alcançar o seu objetivo: corromper os outros dois vértices do citado triângulo. Ledger entrega uma atuação digna de todas as estimativas de indicação póstuma aos milhares de prêmios que o cinema poderiam entregar. Mesmo assim eu acho complicado que o mesmo as receba, uma vez que o preconceito de ser uma adaptação de quadrinhos pesa em cima dos velhotes votantes de todos esses prêmios. O mesmo acontece com Aaron Eckhart, seu Harvey Dent é simplesmente um dos mais bem construídos personagens desse ano e a veracidade com que Eckhart o interpreta, toda a paixão e dualidade que ele o coloca em sues discursos é algo simplesmente fenomenal. Eu, particularmente, o indicaria a todos os prêmios do ano, pelo seu desenvolvimento gradual e migração para o lado negro, ou parafraseando seu próprio personagem “assistindo seu herói viver tempo o bastante para se tornar um vilão”. Verficar o pivô do início de sua insanidade é drástico, dramático e completamente surreal, mas interpretado de modo absolutamente fantástico. Fenomenais, como sempre também estão Morgan Freeman na pele de Lucius Fox e Michael Cane como Alfred. Ambos são simplesmente fenomenais em todos os aspectos de suas atuações e igualmente merecem o acknoledgment pelo fabuloso trabalho. A única que não me agradou foi Maggie Gyllenhall. Me chamem de louco, mas eu achei muito mais eficiente o jeito uptight que Katie Holmes tinha empregado na personagem (alguém que queria sempre fazer a coisa certa, mas que mesmo quando o fazia ainda assim não se sentia confortável) do que a descontração e desenvoltura que Maggie deu a Dawes. Muitos vão dizerque é a personagem que é chata, ou que eu é quem gosto de Katie Holmes (o que não é verdade uma vez que ela nem fede nem cheira para esse que vos escreve, desde a época de Dawson’s Creek), mas o fato é que a personagem tem somente uma função em todo o filme e apesar de cumprir esse papel corretamente, não é nada que chame a atenção.
Com seus quase 900 milhões de dólares em caixa, The Dark Knight consegue ser fascinante não só pelos seu roteiro e personagens, mas pelo fato de ter elevado filmes adaptados de quadrinhos a um nível que dificilmente será considerado padrão e fatalmente poderá condenar o gênero no cinema em alguns poucos anos. O maior mérito do filme talvez seja esse, uma vez que trascende todas as linhas limitadoras que tentam sempre definir com barbantes o gênero para uma obra cinematográfica. O filme de Nolan pega o melhor do universo do morcego (para os amantes dos quadrinhos será fácil fácil de encontrar referências a The Dark Knight Returns e Batman Year One, ambas de Frank Miller, em especial no desenvolvimento do Coringa enquanto antagonista do morcego), mas também sendo implantado easter eggs nerds de primeira grandeza (como a presença constante nas revelações chaves do filme feitas pelo personagem de Anthony Michael Hall – um pregog da série The Dead Zone – ou mesmo o fato da vida do prefeito nunca estar realmente em perigo, mesmo quando todo um atentado está sendo planejado a ele, nada demais se ele não estivesse sendo vivido por Nestor Carbonell – o homem que nunca envelhece na série Lost). O filme é divertido em diversos aspectos, complexo em outros mais e agrada tanto os amantes do filme de ação (uma vez que ela existe, e muito) quanto aqueles que analisam, criticam e dissecam o filme por inteiro (confesso minhas doenças cinematográficas). Um filme nota dez, mas somente na expressão uma vez que dar realmente uma nota para o filme em si seria diminuir o quanto ele é e o que representa. O meu DVD já está encomendado, assim como a minha segunda ida ao cinema.
"See, I'm not a monster...I'm just ahead of the curve." - By The Joker in The Dark Knight
Domingo, Agosto 31, 2008
Happy Blogers Day!!!!
Ok, OK, apresento minha mea culpa e me "appologizo" pelos dois meses de sumiço sumário... Mas tem uma razão de ser, para os que estão afim de escarar esse papo de gaieiro. Desde o final de junho tenho feito (e passado por) milhares de coisas que aos poucos serão colocados aqui no blog (claro que não tudo, porque todo mundo sabe que tamb'em não é assim), mas as mais importantes envolvem as viagens que eu fiz e a visita da minha mãe que passou aqui, mais de um mês e meio, regressando amanhã à terras brasileiras. Bem, em todo caso isso não isenta muito de não ter pelo menos escrito algumas linhas dando notícias (ou matando o povo de inveja, dependem do que vocês escolherem) por aqui. Mas como já mencionei, aos pouco eu vou atualizando, inclusive comentando o The Dark Knight e outros filmes que merecem a atenção, as próprias viagens e aí embaixo vocês já começam com o aperitivo dos shows por onde andei também. Mais um festival de rock na cabeça ;-)
No mais eu gostaria de desejar a todos o manifesto do dia do blogueiro e dizer que apesar do passo tartaruga o Smells ainda vive ;-)
"And you don’t care what they say. See, every time you turn around, They screamin' your name" - When I grow up by Pussycat Dolls
What is „Damn“ in Flemish?
No quesito alinenação, nada consegue me deixar mais fora de órbita que música. Não que ela desligue o meu cérebro em todos os momentos e todos os setores sempre que começa a resoar, mas de certo me fazem viajar em seus acordes e me levam a níveis de elevação, ou completa profundidade, que as sinapses ligadas ao mundo exterior certas vezes são colocadas em stand-by. Agora imaginem o momento em que você se coloca em uma reunião de grupos, bandas e intérpretes, cuja música funcona como um segundo oxigênio? Seria exagero dizer que eu estava em completo estado de êxtase e satisfação no último festival de Rock que eu fui? Pois bem, estou prestes a descrever os quatro dias que eu passei na Bélgica no Rock Werchter.
Vou tentar não detalhar muito (yeah, yeah, I know... kinda impossible), pois senão isso será transformado em um depoimento de pelo menos 4 ou 5 partes, e a experiência com o Dossiê Buffy (que eu acredito que ninguém leu... huahauhauhauha... mas valeu a pena) me diz que é melhor um post único e consiso. Bem, vamos lá.
Rápida descrição ambiental: O lugar é uma vilinha nas proximidades de Leuven, uma cidade que fica a mais ou menos 15 minutos de trem do centro de Bruxelas. Leuven é a casa da fábrica da Stella Atrois, cerveja que deve ter faturado horrores com os milhares de beberrões ali presentes. A organização foi muitíssimo boa, inclusive quando num toque de gênio eles descentralizaram os acampamentos. Tinha uma tuia de lugar pra acampar, mas todos com poucas vagas e assim, os ataques vândalos foram sumariamente diminuidos. Apesar de que eu acredito que como a maioria ali presente era os próprios belgas, somados de muitos britânicos de uma forma geral, e poucos alemães e outros estrangeiros, o pessoal se comportou extraordinariamente bem. :-p A infra-instrutura do local foi das melhores e a organização muitíssimo boa. A merda foi somente a chuva e o frio noturno (média de 13°C, com desastre para a combinação das duas), mas isso ninguém tem como prever e controlar... huahauhauhauhaua.
Partindo pros Shows
Mas indo ao que interessa realmente, vamos as descrições dos shows, pelo menos os que eu consegui assistir. Cara, eu posso somente dizer que eu estava nas nuvens na grande maioria deles!!!!
Dia 01
REM
O primeiro show que eu queria ver tinha que ser grande, pelo menos pra mim, e não é que casou realmente com o momento que eu decidi me juntar aos mais de 60 mil participantes o show era realmente o que eu esperava. Quase não me conti quando vi que era mesmo Adam Duritz puxando a galera do Counting Crows que subia ao palco. O melhor de tudo foi ver o grupo, por mais ou menos uma hora e meia, se agarrando somente ao repertório dos seus primeiros discos, num feito clássico que envolviam músicas como Anna Begins, Colorblind, Mrs. Potter Lulluby e, claro, Mr. Jones. O mais perfeito show que eu poderia querer ver desta fantástica banda, mas o primeiro dos dias ainda estava começando, pois na sequência, um novato que tinha me chamado a atenção um tempo atrás e tinha chegado a hora de conferir sua presença de palco, falo de Mika. O cara seguiu a risca as canções de seu primeiro, e único lançado, album, mas o melhor mesmo foi ver ele levantando a galera, sob forte chuva, desde o início, com Relax, Take it Easy, com uma galera no palco que lembrava integrantes de um picadeiro circense. Fuderosamente bem com suas canções, o cara ainda resolveu dar um gostinho todo especial a galera cantando I just can’t get enough do Depeche Mode. Sua uma hora equinze de show foi fantástica, em especial se levarmos em consideração que ele deu um show de percursão no fechamento de Love Today, música de encerramento. Perfeito. Na sequência, vinha um show que eu estava esperando com o pé atrás, não por causa do cantor em si, mas pelo fato de algumas pessoas terem me dito que sua presença de palco era frágil. Bem, eles estavam enganados, pois Lenny Kravitz fechou o coreto di cum força. Passeando por seu novo album, mas não esquecendo clássicos como Fly Away, American Woman e Until is Over, o cara colocou todo mundo pra cantar, dançar, gritar e pular como loucos. Show fantástico, mas ainda era só metade do dia. Quem veio depois, foi justamente quem eu esperava ancioso, mesmo já tendo assistido a um show deles 3 anos atrás em Genebra. O grupo? REM. É incrível, mas mesmo com toda a carência over que Michael Stipe, o cara puxa a todos e arrasta o mais indiferente dos espectadores. Os acordes de Imitation of Life, Losing my Religion e Man on the Moon (canção que fecha o show no momento – confesso que adoro a música, mas sinto falta de Is the end ofthe world as we know it), não segue sem um coro considerável, e não falo somente dos refrões, mas de toda a letra e melodia (cujos cantarolares ainda se podia identificar). E claro que canções do Acelerate estavam presentes, em especial Supernatural Superserious, que levantou a galera mais jovem e que começou a conhecer a banda com mais de 25 anos de carreira agora. Para mim este foi o último dos shows, uma vez que eu me encontrava ensopado da chuva que tinha tomado desde o show do Mika, no meio da tarde e já eram mais de 23.30 aqui com 13 graus de temperatura. Dessa forma escutei de longe o show da banda que fechou a noite: Chemical Brothers. Aparentemente foi um show interessante, se pessoas com quem conversei no dia posterior não tivessem dito que o show foi na verdade bem fraco. Bem, nunca vou poder afirmar, quem sabe da próxima vez. O resfriado veio, por causa da chuva, mas eu ainda assim aproveitei tudo que pude dos tres dias subsequêntes. Tudo isso, foi somente o início.
Dia 02
Moby
Bem, acordar cedo e tomar um banho legal com o mínimo de filas e ainda água quente sempre foi o meu legado em relação a festivais, mas tenho que confessar que esse foi o único dos dias em que respeitei isso. Já estava pronto às 10 e enquanto um dupla de primos de descendência prussiana e de origem espanhola, com quem tinha feito amizade, ainda resolvia acordar. Eu conversava com alguns dos habitantes do acampamento enquanto isso (em especial um grupo de adolescentes bem sem noção, mas que me divertiu muito), lia um pouco (finalmente terminei O Guia do Mochileiro das Galáxias – Fuderoso, mas isso fica pra outro post) e andava ao redor da vila, que era bem arrumadinha, por sinal (daí a população inventou de aumentar umas 100 vezes com o festival). Bem, depois de comer de almoço um Bratwurst com batata frita (me encheu por um bom tempo), resolvemos conferir o Show do Kings of Leon, para esquentar com o que vinha pela frente. A banda é bem legal, para ser sincero, num som indie estilo transendental (coisa que mistura Sigur Ros com We Are Scientists... OK, OK confesso que exagerei um pouco), mas ainda preciso escutar os cds que baixei deles para formar uma opinião completa. No show eles passaram com mérito. O negócio foi que eles esquentaram o chão para algo que fugia muito do contexto geral do festival. O raper Jay-Z. Apesar de estar muitíssimo curioso pra conferir esse show, confesso que estava com o pé atrás com o deslocamento do mesmo dentro do que o festival propunha. Que nada. Minhas preocupações eram muitíssimo infundadas, uma vez que o cara colocou todo mundo pra cantar Roc Boys logo de início (rap que envolve instumentos de sopro numa clara alusão ao Jazz clássico), seguida de Gigga What/ Gigga Who e outros de seus sucessos. Mas eis que o cara surpreende mais ainda, quando decide que as canções em que é produtor deveriam entrar no repertório. Então o que ele faz: Começa com Crazy in Love um medley que ainda envolveu Umbrella e American Boy. Mas nada tinha preparado todo mundo para o final, quando ele levou a galera ao delírio com uma interpretação fuderosa de Encore/ Numb, feita em parceria com o Liking Park. Simplesmente fenomenal. Depois do show que Jay-Z resolve dar, achei que a sequência seria esmagada. Bem, foi mais ou menos assim, uma vez que a banda Air Traffic, que tinha tocado no dia anterior num show até interessante, entrou novamente para cobrir o furo que o Babyshambles deixou com sua ausência. Mais uma falha astronômica de Pete Doherty e cia. Mas aí entrou o The Verve e simplesmente deu um showzaço, claro que ao seu estilo introspectivo e ao mesmo tempo fascinante. Confesso que não conheço muito da banda, mas fui ao delírio quando eles tocaram Bitter Sweet Symphony. Imagem mental única. Na sequência resolvi mudar de tenda e conferir o show de uma banda nerd que eu consedero muitíssimo fuderosa nesses últimos meses: Hot Chip. E o show dos caras foi fuderoso!!!! Num rock eletrônico muito original (OK, OK, nem tanto, mas chamou minha atenção), os caras conseguiram que umas centenas de pessoas que assistiam ao seu show, cantassem em coro e pulassem feito malucos. Fiquei impressionado, em especial porque a presença de palco deles é totalmente não-convencional, mas efetiva. Saí correndo da tenda alternativa para arrumar um espaço mais à frente, uma vez que o show da sequência me chamava a atenção há tempos. Eu queria saber como o Moby iria encaixar o show eletrônico dele debaixo daquela salada de rítmos que já tinha se tornado o festival. Bem, o caramandou muitíssimo bem. Inclusive se prendendo ao seu melhor album: Play. Músicas como Porcelain, Find my Baby e Bodyrock estavam no repertório (só faltou The Sky is Broken). E ainda colocou o melhor do que tinha desenvolvido além disso. A galera dançou, pulou e festejou o cara por quase duas horas, numa performance fantástica. A noite foi fechada, surpreendentemente com chave de ouro. Melhor que isso, achei que seria impossível, mas eu ainda estava enganado.
Dia 03
Radiohead
O terceiro dia começou com a constatação que eu estou ficando velho e começando a estilar acampamentos em festivais de rock (contraste total e absoluto com o dia anterior), mesmo que esse aqui tenha sido assustadoramente comportado (ou eu tenha tido o sono mais pesado da história... huahuahuahauhua!!!!). Bem, o negócio é que eu acordei mais tarde do que deveria, enfrentei uma fila que eu não queria e ainda fiquei reclamando feito o velho Napoleão porque não tinha mais água quente :-p Fala sério, o cara vai acampar num festival de rock e ainda reclama que não tem água quente? O que é que vem depois? Mestruação e menopausa? :-p Mas depois de passados esses por menores modais, comemos a comida “sustança” de festival (o velho e bom bradwurst acompanhados de batatas fritas quentinhas, sequinhas e cheias de molho... com a boa e velha coke) e vamos nós ainda pegar um taco do show do The Gossip. Bem, nada de extraordinário, uma vez que a menininha vocalista tem uma presença de palco bem rasteirinha, mas confesso que sou fã dela a partir do momento queela decidiu que ia cantar no meio da galera, sem se importar que estava com um microfone de fio que ficou carregando o pescoço de todos no meio do caminho (huahuahuahuahua!!!), como costumo dizer: Fuderoso!!!! Finalizado esse resolvemos mudar de tenda (eu e os meus amigos prussianos) e conferir o show do Band of Horses, que foi interessante, mas nada de fantástico... Valeu a conferida de um novo som, mas confesso que eles não ficaram dias à fio na minha playlist musical depois disso (uma amiga minha diz que eu tenho que escutar de novo, e dessa vez com cuidado... huaahuahuahua). O bom mesmo veio na sequência: The Editors!!!! Eu sei que muuuuuita gente acusa a banda de pegar carona no estilo do Interpol e ainda fazer sucesso com isso (tem gente até que diz que é cópia), bem eu discordo e confesso que o som é um dos que me liga, e muito, atualmente. Curto o Interpol (Stella was a diver and she was always down, está na minha setlist há mais de sete meses), mas não há nada como escutar An End Has a Start, Racing Rats e Smokers Outside the Hospital Doors e ao vivo então o cara dando saltos e pinotes com a guitarra... putz, quase orgásmico. De certo foi o show do dia, pelo menos pra mim... Ok, mentira, e vocês vão ver o porquê, mas se eu gostava da banda agora eu sou groopie. Na sequência eu decidi mudar de palco de novo (nesse lugar eu andei mais que nômade procurando morada) e conferir o show da Kate Nash. Pra quem não conhece, a Kate é inglesa, tem um som muito legal (meio lá lá lá é verdade) e eu tinha que conferir ela ao vivo. O problema é que metade do festival teve a mesma idéia que eu e o míope aqui conferiu ela de milhas de distância, mesmo assim, valeu demais a pena escutar o som dela, conferir o palco que mais parecia uma loja de brinquedos, e ainda dançar um pouco aos acordes de Foundations. Depois disso segui na minha mudança novamente e enquanto Duffy se preparava pra entrar no outro palco, voltei pra conferir o show do Ben Harper. O cara tem uma presença de palco fenomenal, isso eu tenho que concordar. O soft-rock dele não é muito o meu estilo, mas valeu a conferida, até porque o cara sabe muuuuito fazer música. O negócio pegou fogo mesmo na sequência, pós BH, quando o palco começou a ter umas bolas infláveis brancas distribuídas, se preparando para a entrada do Sigúr Rós. Confesso a vocês que não tenho pleno conhecimento do som dos caras. Tudo soa transcedental demais em um nível que a minha alma consumista de quadrinhos e séries de tv ainda não alcançou. De qualquer maneira considero a experiência como única. As poucas músicas que eu consegui identificar, em especial do novo cd, me deixaram bem embabacado na apresentação ao vivo. Isso, sem mencionar que os costume designs e direção de arte do shows foram dignos de qualquer filme hollywoodiano. Mas nada, nada estava me segurando para o que viria a seguir. OK, confesso que o show do Sigúr Rós me pegou mais pra que eu guardasse um lugar legal para o que viria a seguir (eu estava com vontade mesmo é de assistir Gnarls Barkleys no palco alternativo. De qualquer maneira nada conseguiria me deixar de longe do show que eu estava aguardando por três dias a fio. O show de Tom York e companhia. O show do Radiohead. Bem, eu que na minha felicidade plena por me encontrar na primeira leva de filas, pertinho do palco, na parte de trás, com um suporte de descando para as minhas costas, jamais poderia imaginar que estilaria tudo di cum força à partir do momento em que o empurra-empurra e esmaga-esmaga começou. Pedi penico antes do show começar, uma vez que prezo por meus pulmões e costas e gostaria de terminar o show ainda vivo, e saí pela ala vip diretinho pra o meio dos mortais, a milhares de distância do palco (dramatização dor de cotovelo em off). Bem, o negócio foi que mesmo de longe, coisa de 100 m do palco, o show dos caras foi o melhor do festival e eu nunca me senti tão extasiado em uma apresentação como naquela que eu estava presenciando. Não importou se eles não tocaram Creep ou Karma Police, minhas músicas favoritas. O fato de eu ter visto a banda alternar entre músicas como Idioteque, Paranoid Android e Jigsaw Falling Into Place, me deixaram com toda aquela frescura de olhos brilhando e sorriso estático no rosto. Não consigo pensar em nada que pudesse ter terminado uma noite de maneira tão fenomenal, numa mudança de acordes e desenvolvimento musical tão fantástica quanto a mudança de cores no palco, ou ainda como os rostos de cores fortes e riscos fundos podiam ser obsrvados nos telões. Novamente, e agora de peito aberto: FUDEROSO!!!!!
Auf Windersehen (ou dia 04)
Panic at the Disco
No último dia eu resolvi fazer diferente e não ir embora junto com o monte de manés no dia seguinte (imagina a bosta que seria pra tomar banho?), botei tico e teco pra funcionar (à manivela, claro) e resolvi dormir em um hostel no último dia (saindo direto do último show para o centro de Bruxelas). Daí levantei cedo, peguei o trem (uns 15 minutos de viagem) com todos os meus mijados e deixei num hostel muitíssimo legal (melhor até que o hotel que eu tinha ficado no primeiro dia) voltando imediatamente em seguida para conferir o primeiro show que seria o da banda emo Panic At The Disco. Eu sei que muita gente aqui não gosta, não curte e fala mal, mas a nada liderada por Brandon Urie fez um show muitíssimo do bacanudo. E mesmo que suas canções nem inovem tanto assim nos arranjos, o som é muitíssimo legal. Claro que a novíssima Nine in the Afternoon estava lá, mesmo que depois coisinhas como I Write Sins Not Tragedies tenham vindo na sequência. Infelizmente o domingo foi um dia fraquinho no meu gosto pessoal, mesmo assim, repleto de bandinhas novas que me chamaram a atenção no último ano, como foi o caso do The Kooks. Muitíssimo legal de se ver, os caras com jeitinho de hippies, colocaram a galera pra dançar, balançar braços e ainda cantar (não me perguntem como aquele povo sabia de todas as letras) num jeitinho bem “Island in the Sun”, do Weezer.. huahuahauhaua. Claro que rolou algo no nível de I Always Need to Be logo no início, mas depois músicas como See the Sun, Mr. Maker and Shine On, do seu segundo trabalho até então, tomaram conta. Na sequência, veio a bandinha nova do Jack White (mesmo que a irmã dele tenha sido vista várias vezes no backstage por quem estava na frente. Não é por nada não, mas eu achei o negócio bem chatinho e barulhento. Curto mais o White Stripes, e olha que eu nem sou fã... :-p Mesmo assim o The Recounters, conseguiu me atrair e muito. Serviu para, pelo menos, passar o tempo. Num dia escasso de shows legais resolvi dar uma arriscada no alternativo. E fui brincar de assistir o show do Justice, dupla de DJs francesa muito legal, no palco alternativo. Bem, confesso que fiquei extremamente decepcionado com o que vi, pois primeiro eles são bem ruizinhos de palco, e segundo eu resolvi ir conferir na frente, de modo que coloquei à prova novamente o termo “se sentindo uma sardinha enlatada” em prática. Levar acocho em show fraco ninguém merece, mesmo que se esteja somente à dez metros dos ditos cujos, mesmo assim pedi penico e fui embora lá pra trás... ainda pude conferir a segunda metade do show do Kaiser Chiefs, em compensação. Lá de trás é verdade, mas ainda assim, muito legal pelo que vi. Se bem que valeu tb pelos vexames que o vocalista deu subindo no alambrado e deixando cair o microfone, DUAS VEZES!!!! Piadas à parte, esse foi o último show que eu realmente conferi. No restante do tempo eu fiquei de papinho, troca de e-mails, telefones e exeriências musicais com uma galera.
Confesso que esse foi o melhor festival em que fui até então e seo setlist for tão bom quanto o desse ano, de certo eu vou estar lá no ano que vem. Bem que eles poderiam ter colocado o Foo Fighters e o Placebo esse ano, porque aí eu poderia ter morrido feliz e sem arrependmentos, mas enquanto isso não acontece outros virão... ;-)
"Back to the streets where we began. Feeling as good as lovers can, you know. Well, now we're feeling so good - Nine on the Afternoon by Panic at the Disco
Quarta-feira, Junho 25, 2008
Let it be
Bem, faz tempo que eu não coloco posts mais pessoais e introspectivos por aqui. Isso porque quando acontece é quando eu preciso desabafar, uma vez que por mais que eu passe a imagem de uma pessoa cuca fresca e que não está nem aí para PN (I don't think I need to translate that... :-p), eu tenho meus problemas pessoais e os internalizo em geral e praticamente tenho uma idéia formada antes de sequer mencioná-lo a qualquer pessoa. Pois é... o problema é que muitas coisas novas (e sérias) aconteceram ao mesmo tempo. Umas de um lado positivo, mas ainda assim demandaram bastante do carinha aqui. E outras de um lado negativo que eu tive que priorizar para resolver (ou ainda estou resolvendo). Problemas esses só meus ou que envolvem outras pessoas e, claro, me deixaram mal pacas. Uns por irresponsabilidade, num momento em que minha vida passa por mudanças em todos os aspectos, outros por uma tentativa de avanço, mas que em diversos apectos se mostraram um retrocesso. Bem, mas como sempre eu não vou ficar aqui de descrições e lamúrias gostaria de externalizar meu sentimento de auto-aceitação e preservação numa música do The Kooks que ando escutando muito ultimamente... e só pelo título eu me sinto melhor, claro que o contexto foi modificado um pouco para me adaptar (mas não é essa a magia da música?).
Always Where I Need To Be
The Kooks
Say whatever you want
Oh, I could never judge you
Be whoever comes into your head
Oh, you know I’ll take you there
You know I’ll take you there
‘Cause I’m always where I need to be
And I always though I would end up
with you, eventually
Do dodo do do do do
Etc
Say whatever you want
Oh, I could never judge you
Say whatever comes into your head
Oh, oh you know I just don’t care
You know I just don’t care
‘Cause I’m always where I need to be
Yeah, and I always thought I would end up
with you, eventually
Do dodo do do do do
etc
I want mine…
I want mine on the sea
Oh let me be, let me be
I want mine on the sea
Let me be, let me be
‘Cause I’m always where I,
where I need to be
I-I-I always, always thought…
I would end up with you eventually!
Always where I need to be
"Say whatever you want. I could never judge you" - Always where I need to be by The Kooks
Quarta-feira, Junho 18, 2008
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 01: The conception
"...Into each generation a girl is born, a chosen one. She alone will wield the strength and skill needed to fight the vampires, demons, and the forces of darkness, stopping the swell of their numbers and the spread of their evil. She is the slayer...". Realmente difícil de se levar a sério algo que tem como plot principal uma garota que durante o dia tenta levar uma vida normal no collegial, e durante a noite luta contra vampiros, demônios e outras abominações. Este na verdade se mostra um plot extremamente simplista de um filme de aventura para adolescents, exclusivamente. Na verdade acredito que a primeira vez que se lê algo onde isso escrito, a imediata reação é de virar as costas a qualquer tipo de mídia que o trás, seja ela audiovisual ou impressa. Eu mesmo o fiz. A primeira vez que eu ouvi falar sobre uma série que tinha tudo que descrevi acima, eu tive vergonha da pessoa que me tinha comentado tal heresia, „fala sério, uma menininha peituda no colegial estacando vampiros? Isso tem cara é de filme da sessão privé“ imaginei no meu escondido innerself. Dei aquele sorriso meio sem graça de “sim, sim, quem sabe eu um dia não vejo?“, especialmente quando eu estava megulhado num universo bem mais complexo e categórico que era os dos Arquivos X e o dia e horário em que a série passava (sextas às 21hs alternavam a minha atençâo minhas saídas esporádicas com amigos ou simplesmte um dia relaxado assistindo a C16 (série com Eric Roberts e Angie Harmon que durou somente 13 episódios). Mas desde quê um dia, no já longínquo ano de 1998, eu resolvi dar aquela colher de chá. Destesto ser do tipo “não vi, não gostei”, então eu tinha que assistir para poder meter o pau (ao menos). O episódio em questão era o primeiro da segunda temporada da série, ele envolvia a protagonista num sério caso de choque relacionado a eventos do final da temporada anterior. De imediato ele me pegou pelo modo como os diálogos eram tratados e com aquela pequena profundidade dada a um programa dirigido a adolescentes, mas sem o mesmo melodrama corriqueiro dessas séries. Incrível foi o feito de que com mais alguns episódios, esse mesmo programa cujo o plot tinha me envergonhado, tenha me pego como fã, de modo tal a ter-me feito assistí-la mais de uma vez e ainda acompanhar o desenvolvimento e migração para outras mídias (no momento ela está sendo publicada em quadrinhos). Eu falo da genialidade de Joss Whedon em sua primeira cria. Eu falo de Buffy – The Vampire Slayer.
Como já mencionei antes: Gostar de Buffy não é algo que acontece se a pessoa não olhar fora da caixa de estereótipos que a série se viu envolvida no início para poder se vender. O plot pode ser bastante básico e até meio idiota (como muitos que nunca assistiram ou insistem em não analisar corretamente a classifica), mas a série em nada carrega esses adjetivos. Nada ali, desde o desenvolvimento dos personagens até a montagem das storylines de cada temporada, é gratuito. Tudo tem sua razão de ser e em algum momento sera usado, mesmo que isso não ocorra na mesma temporada. Simbolismos e metáforas da vida ctidiana sâo trazidos a esse mundo fantástico, de maneira profunda e sutil, e as representações de monstros e demônios nada mais são que um extensão dessas “sutilezas”, associando as dificuldades que os personagens passam por, e porque não dizer assim como seus expectadores, em determinados momentos de sua vida, tornando-se cada vez mais complexos a medida que seguem uma etapa de seu crescimento. São os demônios interiores a serem enfrentados, no maior estilo Bram Stoker de conceber personagens. Mas de certo isso é algo para ser melhor abordado mais adiante no texto, que vocês verão estar dividido em cinco partes, abordando a série em si, as temporadas, os personagens e por ultimo, mas não menos importante, a ressurreição no mundo dos quadrinhos.
O criador e a cria
Joss Whedon, é simplesmente brilhante no que diz respeito a elaboração de diálogos. Para os que nunca conferiram o trabalho do cara na tv ou cinema, de certo já verificaram isso em series de quadrinhos como Astonishing X-Men e The Runaways, por exemplo. Ele demonstra, sem sombras de dúvidas como sabe criar histórias longas muitíssimo bem desenvolvidas e fechadas (algo impressionante por si só num mundo de Chuck Austens). Sua linguagem se mostra bastante contemporâneas, não deixando em momento algum (por mais fantástico que o universo em que o cara trabalhe se mostre) de mostrar ao expectador (ou leitor) que aquele é um personagem humano, ou de características humanas… que como tal, ele é capaz de crescer e encarar situações seriamente, ou simplesmente banalizá-las com piadas infâmes, quando se apresentam somente mais um ponto de sua rotina, agora, habitual. Mas não somente os diálogos são seu ponto forte. Como já mencionei anteriormente, o cara é capaz de criar histórias fechadas, empolgantes e em geral extremamente internalistas. Seus geniais plots estão em geral ligados a consequências dos atos de seus protagonistas, em Buffy isso se mostra extremamente presente, quando os protagonistas se mostram inicialmente tendo que enfrentar a si mesmos, seus medos e desventuras, até o ponto de encarar o problema de maneira adulta e eficiente. Quando eles próprios não são os causadores desses problemas, e que naquele instante deverão aprender a como lidar com as consequências e solucioná-los enquanto isso. Extremamente empolgante é como Joss pega pontos comuns a adlescência de um modo geral e superlativa para o mundo fantástico do Buffyverse em metáforas claras e ainda assim empolgantes. Taboos como sexo e drogas são temas constants em especial na segunda e sexta temporadas. Como lidar com o cara com quem você teve a sua primeira experiência sexual e ele se torna mal (literalmente) depois disso ou mesmo com o fato de se deixar entoxicar pelo poder, abusando dele de tal forma a que seja necessária uma intervenção e que te domine a tal ponto a que você se torne uma ameaça em determinado ponto. Todos esses temas, complexos para alguns simples para outros, são abordados de forma original, empolgante e de certo com um cuidado fenomenal não agredindo em momento algum a inteligência do expectador (vejam o quanto eu bato nessa tecla).
É válido dizer que o buffyverse serve também como base para estudos. O Buffy Studies, como é chamado, é um braço do aprofundamento acadêmico em estudos culturais e procura estabelecer parâmetros de tradução, expressão e interpretação dos fatos explorados nos programas criados por Joss Whedon. Mesmo que não seja reconhecido como uma disciplina acadêmica específica, o buffy studies tem diversos seguidores e adeptos. Campos da sociologia, psicologia, filosofia, teologia e estudos femininos apresentam diversas perspectivas a respeito da série e o impacto gerado dentro desses campos. O show chegou a ser foco de não só artigos acadêmicos, bem como dissertações de mestrado, e recentemente de doutorado, em comportamento humano em universidades americanas, inglesas e australianas.
Em estudos de gênero, por exemplo, um dos nomes fortes no campo é Lorna Jowlett que escreveu o artigo Sex and he Slayer: A Gender Studies Primer for the Buffy Fan, que analisa a posição de Buffy num mundo pós-feminista e discute os estereótipos e evoluções de personagens femininos no show de uma maneira geral, não deixando de lado os personagens masculinos. Campos como a discussão da sexualidade em cultura pop (usando o personagem Spike para tal), a série como arte em media, ou até mesmo comportamento familiar, podem ser encontrados artigos que discutem a relevância da série, de modo nocivo ou não. Vale a pena, para concordar, discordar e levantar novos argumentos. Para quem quiser mais detalhes, pode encontrar aqui.
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 02: Personagens e personas
Para se ter histórias que se mostrem fortes e plausíveis no decorrer de uma série em que o fantástico reina, uma construção minuciosa de personagens com personalidades muitíssimo bem definidas, se faz extremamente necessária. Whedon já assumiu em diversas ocasiões que a criação e caracterização dos personagens da série foram frutos iniciados em quadrinhos, o que se mostra verdadeiro em varios momentos de comparação inicial, mas que em favor da originalidade os mostra seguindo caminhos completamente diferentes. Estes que deverão ser o fio conductor da saga, foram mostrados de maneira sempre tridimensional de modo a manter a conexão com o público. De maneira análoga, os atores que os interpretam, devem demonstrar a capacidade de expressar os pontos mais fortes desses personagens com veracidade, de modo a permitir a identificação que mencionei acima. Por favor não pensem que vou levanter a bola dos atores dizendo o quanto eles são bons e talz, mas de certo tentarei indicar o porque eles se mostraram perfeitos para tal. Outro fator empolgante na concepção dos personagens de uma maneira geral, se mostra na curiosa forma que seus nomes são escolhidos, sempre dando uma pista de suas características ou o que estaria reservado para eles no decorrer da saga. Intrigante como escolhas como Dawn (amanhecer, o início de um ciclo), Faith (Fé) e Willow (mágico), mostrem como cada personagem se apresenta e se desenvolve. Como devemos encará-los e como seus nomes realmente os definem de uma forma bastante geral. Somente mais um hint para como o universo da caça vampiros é complexo e cheio de simbolismos. Mas partindo para os personagens em si:
Buffy vs Sarah
A personagem principal é sempre a mais visada. Deve ser extremamente carismática a ponto de se identificar com o público e dar espaço, mas não muito, para que os mais secundários apareçam. Buffy, na minha opinião é o perfeito equilíbrio disso. Todos que assistem a série, mesmo que não a elejam sua personagem favorita a respeitam ao ponto de saber que a série é dela. Outras séries já me mostraram o quanto a falta de um personagem carismático e a limitação no seu desenvolver pode afetar a série como um todo. O maior exemplo de um caso desses é Dawson’s Creek (quando o personagem principal – Dawson – se mostrava apenas um coadjuvante ao desenvolvimento da carismática Joey, que tomou a série para si na segunda temporada, ou do problemático Pacey, que empurrou o protagonista para a lama a partir da terceira temporada). Em Buffy isso não acontece, em especial pela construção do caráter da personagem principal. De uma maneira geral ela se mostra ordinária no início, extremamente dependente mental e emocionalmente dos personagens secundários que a cercam. Mas seu desenvolvimento é gradual e sólido, permitindo que eles sempre a acompanhem em sua jornada, mas nunca a eclipsem. Com isso ela passa de uma cheerleader inicialmente fútil, mas que sabe o que tem que enfrentar e sempre entra em conflito consigo mesmo por esse fato (o desejo de ser sempre uma garota normal, quando na verdade ela o é), à uma adulta que inicialmente se vê obrigada a cuidar das funções da casa e mais tarde assume o papel de líder militar e estrategista. Seu desenvolvimento lento, mas sólido, dá base para que a mesma encare o que passou, sem perder em nenhum momento sua personalidade base. Em oito anos essa evolução se mostra natural, em especial dada a vida curta que em geral a profissão da personagem carrega. Na verdade ela é a mais longínqua caçadora a viver até os dias de hoje. Os poderes de Buffy de uma forma geral estão associados a força e agilidades sobre-humanas, além de sonhos precognitivos. Além disso foi dada a ela uma arma no final da sétima temporada televisiva, uma mistura de machado e estaca com poderes até então misteriosos, mas com capacidade de conectar todas as potentials slayers, esta arma foi chamada de Scyte. Para um personagem tão rico a presença da atriz Sarah Michelle Gellar foi crucial. Sei o quanto várias pessoas aqui vão dizer o quanto ela é péssima atriz, sem profundidade (eu discordo desde Cruel Intentions) e o que mais se quiser colocar. Mas o fato é que essa garota egressa de novelas matinais (com direito a um Emmy por isso) foi carismática o suficiente para segurar o personagem de maneira sólida. Gellar consegue passer tudo que Buffy precisa expressar, com o plus de ser extremamente boa em artes marciais e nas outras habilidades que a personagem precisa. Confesso que a achei irritante e obnoxious no início, querendo forçar um carisma inexistente, mas isso muda completamente na segunda metade da segunda temporada (quando acredito que abracei-a definitivamente). Tão perfeita a combinação de ambas, que a atriz ainda acha dificuldades em dissociar a imagem da caça-vampiros da sua, mesmo com um currículo crescente na tela grande atualmente. Gellar foi indicada ao Globo de Ouro pelo papel de Buffy em 2001 (quarta e quinta temporadas). A fonte de criação para Buffy foi Kitty Pryde dos X-Men. O nome Buffy significa “ my God is a vow” relacionando imediatamente a pessoa ao ofício. Uma vez que a personagem apresenta poderes “divinos” e faz o voto de usá-los na luta contra o mal. De maneira análoga as duas outras caça-vampiros de relevância na série apresentam nomes com certa semalhança a divindade (Kendra, que significa filho de Henry – que por sua vez significa “aquele que governa” – e Faith, que significa fé).
Willow vs Alysson
Essa é uma das mais adoradas personagens e, acredito eu, a que mais passou por transformações em toda a jornada da caça vampiros. Inicialmente Willow era somente uma nerd daquelas em que todos tiravam onda, orbigavam a fazer o dever de casa e a usavam ao máximo dada a sua timidez exacerbada (um maior exemplo da tríade nerd-geek-dork), uma vez que se mostrava incapaz de demonstrar o que sentia. Com isso ela mergulha numa procura incessante pelo conhecimento, sempre colocando isso em primeiro lugar. Inicialemente esse conhecimento é procurado somente no campo humano, mas lentamente ele migra para o oculto e todos os elementos fantásticos que cercam a série. Willow passa de uma nerd de computadores à uma bruxa extremamente poderosa e que seria a maior das rivais que Buffy poderia enfrentar, se não estivesse do seu lado. A personalidade da personagem também evolui com o passer dos anos, deixando de ser a tímida garota nerd para uma assumida lésbica que precisa agora enfrentar conflitos internos resultados de seu abuso com magia (uma brilhante analogia ao uso de drogas de uma forma geral). De certo a personagem mais poderosa de todo o buffyverso, mas que como tal encontra suas limitações em questões de caráter (no maior estilo Phoenix Negra, ou Sentry, de ser, que deve despreender um esforço diário inimaginável para permanecer no controle de suas faculdades). A atriz Alysson Hanningan na minha visão inicial era uma das mais fracas do cast da série. Algo que se mostrou totalmente falso no decorrer dos anos com o crescimento da personagem. Hannigan foi brilhante em sua composição, mostrando inicialmente uma personagem com fraquezas visíveis e poderes imensos escondidos em sua timidez extrema, e desenvolvendo isso aos poucos liberando a personagem chegando a alterar completamente sua personalidade, se mostrando natural em todos os sentidos. Tamanha a genialidade de sua atuação e capacidade de interpretar tantas facetas na mesma personagem que ela não encontrou muitas dificuldades em se dissociar de Willow, caindo em produções cinematográficas com personagens muitíssimo diferentes e agora na tv com algo que em nada lembra a personagem que a fez famosa. Ponto pra ela. A fonte de criação para Willow foram as personagens Jean Grey, Scott Summers e Bruce Banner. O nome Willow vem da árvore do salgueiro chorão, que em algumas culturas possui a justiça divina atachada a ele (ele chora pelos desafortunados e pelos que no futuro sofrerão o peso da justiça).
Xander vs Nicholas
Aqui o personagem mais humano da série. A identificação é immediata com um personagens dos quadrinhos: Peter Parker, mas sem poderes. Xander é o tipo de cara que se esconde por trás das piadas que solta de maneira involuntária a cada 30 segundos. É de certo o personagem mais inseguro e perdido, inicialmente, e o que menos mudou no decorrer de toda a série. O porque disso também é extremamente válido, uma vez que ele é um personagem masculino num universo extremamente matriarca. Ele é aquele personagem totalmente averso a mudanças, ele não as acompanha fisicamente sempre se apegando ao certo e seguro. De certo modo ele se torna a âncora para os demais personagens por causa disso, o nexo entre o mundo comum e o fantástico, nunca flertando com os elementos que seduzem tanto aos outros personagens. Por isso ele se torna o mais sólido caráter de toda a série, com o ponto a favor de demonstrar medo (inclusive de forma exagerada às vezes) sempre que lhe é conveninente. Xander adquiriu conhecimento militar de forma fantástica, e a manteve até hoje. Se torna um excelente estrategista quando é necessário e sabe lidar com armas de fogo e equipamentos militares de uma forma geral. Apesar disso nunca seguiu nada nessa area, visto que sua personalidade jamais se adequaria a rígida disciplinaridade requerida a esse ofício. O ator, Nicholas Brendon, foi de certo o que menos se adequou a vida hollywoodiana. Seu trabalho, enquanto ator, limita-se a pequenos filmes e participações em series, mas vale salientar que ele não possuia absolutamente nenhuma prática em atuaçâo até entrar na série de Whedon. Sua composição do personagem foi extremamente acertada, mas que o classifica mais como comediante que como ator propriamente dito. Sua perícia na arte de interpretar se mostra limitada em diversas ocasiões, inclusive quando seu personagem é aprofundado. Nada que comprometa, mas de certo está longe de ser algum tipo de destaque. Xander foi nomeado a partir de Alexander, o grande, e significa “aquele que defende os homens”, uma analogia direta a seu papel na série, uma vez que ele representa o lado totalmente humanos dos personagens.
Giles vs Anthony
O pai, o mentor, o guardião. Essa é a função de Giles na série da caça vampiros. O negócio é que nesse papel o cara passa também por um crescimento emocional intenso e gradativo. O engraçado é que o personagem Giles nos engana inicialmente se parecendo um pacato bibliotecário que em nada lembra alguém que luta contra as forças do mal. Seu jeito goofy de ser inicialmente se mostra também uma arma para nos driblar do foco do personagem, que possui um passado bem mais negro e tridimensional. O engraçado é que Giles sempre ensaia diversas saídas da série, mas sempre retorna em momentos cruciais. Natural o fato de que temos que voar solo em algum momento e sair da saia da mãe ou colo do pai, mas eles se tornam sempre referência e é a eles que recorremos quando não sabemos o que fazer ou simplesmente atingimos nossas limitações. Buffy trata Giles com esse intuito, mas não somente reduzindo-o a isso. Ele em geral é o foco de informações e contatos com o mundo demoníaco. A personalidade de Giles muda no decorrer da série, como já citei, ele abandona o jeito goofy de ser após seu passado ser levemente revelado e sofrer a primeira grande baixa em sua vida (a perda de sua namorada Jenny Calander). Giles se torna mais negro e seguro, mas não deixando de ser a figura paterna que Buffy sempre se apoiou. O ator Anthony Stewart Head é sem dúvida o mais experiente e o mais versátil do time da série. Sua bagagem shakesperiana adquirida em Londres (terra natal) o faz interpretar todas as nuances de Giles sem demonstrar nenhum esforço para essas mudanças. Ele simplesmente é o personagem e o que vemos na tela é o avançar natural dele. Totalemente impressionante. Nevertheless, o ator se mantém bastante recluso somente abordando o teatro de volta a terra da rainha. Giles é livremente inspirado em Charles Xavier (que recentemente num dos arcos de Whedon para Astonishing X-Men, se mostrou tão negro quanto). Giles significa “escudo” analogia direta ao papel de proteção que exerce para com a personagem principal.
Angel vs David
O atormentado personagem que toda série de respeito deve ter. Apesar de ter ficado somente três anos na vida da caça-vampiros, Angel foi o que mais a modificou em profundidade. Ele era o antagonismo em pessoa, uma vez que se mostrou inicialmente um aliado dúbio para se revelar um vampiro na sequência. O problema é que ele náo era qualquer vampiro, mas um que carregava uma maldição de reter sua própria alma e viver com o tormento de todas as pessoas mortas em sua fase demoníaca. O problema é que Angel se apaixona pela caçadora e vice-versa, com o revés de que se ele tivesse um segundo sequer de felicidade plena, sua persona demoníaca retornaria ao comando de seu corpo. A relação sempre conturbada, cheia de antagonismos, amor e ódio se misturando numa enxurrada de emoções fez com que o vampiro se popularizasse e ganhasse sua própria série. Sua ligaçâo com Buffy permanece forte e intensa, mas ambos seguiram caminhos separados, uma vez que verificaram que jamais poderiam viver juntos. É a maneira de Whedon mostrar shakespearemente que o caminho de um vigilante, por mais embasamento que ele tenha, é solitário, contando somente com aliados, mas nunca com parceiros. Todos os personagens da série aprenderam isso à duras penas, e Angel é o símbolo que ainda representa isso, vivendo em separado mesmo que amando a caça-vampiros ainda nos dias de hoje. David Boreanaz, é de certo um dos atores mais limitados que eu já havia visto. No início eu tinha crises de riso quando ele tentava exprimir algo que saísse de sua cara de cera, mas confesso que o cara cresceu no decorrer de ambas as séries. Atualmente o cara surpreende muito na pele de um agente do FBI na série Bones. Angel é claramente inspirado em Bruce Wayne, o que se traduz na escolha de seu nome, que significa Anjo, numa clara alusão ao anjo de aura negra, aquele que carrega as sombras consigo.
Outros personagens
Outros personagens passaram pelo buffyverso deixando suas marcas, muitas vezes profundas, e merecem ser lembrados e caracterizados:
Cordelia (Charisma Carpinter): Ela é tudo que Buffy foi um dia, no momento em que se encontram. O problema é que a segunda teve que assumer o peso de uma responsabilidade que mudou sua vida para sempre. Cordelia permanece como a “cheerleader cabeça de vento” por bos parted as primeiras temporadas da série, até ser definitivamente incorporada no grupo, a contra gosto. Engraçado como ela detesta estar ali e todos detestam a presence dela, mas o fato de dividir o segredo da ca4a-vampiros a insere direta e irremediavelmente no grupo (algo bem Cecilia Reyes em X-Men). Ela seguiu Angel em sua série, mas antes disso foi responsável pelo crescimento de Xander e o aparecimento de outra grande personagem: Anyanka. Charisma Carpinter por sua vez tornou-se uma atriz problemática que foi demitida de angel após o terceiro ano, e ainda hoje faz somente algumas participações em series, nenhuma de grande expressão. O significado do nome Cordelia vem do francês pela expressão “coeur de lion”, que é uma alusão clara àqueles de coração puro (demonstrado pela personagem anos depois de sua primeira apresentação).
Spike (James Masters): Personagem extremamente complexo e rico dentro do buffyverso. Spike apareceu inicialmente como um vampiro sangunário que adorava matar e brincar de gato e rato com suas vítimas e que vivia uma relação “intense” com outra vampira chamada Drussila (louca de jogar pedra que foi vampirizada e enlouquecida por Angel em sua fase demoníaca). Motivado pela paixão, o cara se entrega de corpo e alma a tudo que fez na série, com uma minima variação de personalidade, mas imensa de caráter. Ele passa de um vampire sanguinário a que todos odeia a um personagem que ama de verdade a caça vampiros. A transformação é lenta e leva anos até que o personagem mude definitivamente, mas é assustador o modo como tudo acontece e o quanto ele tem que abrir mão pelo que faz. Engraçado é que sua parte animalesca sempre se mostra presente, não permitindo que nenhum dos outros personagens, a exceçâo de Buffy, confiem nele. Totalmente inspirado em Wolverine. James Masters é um ator interessante, nada possui de genial, mas não é um talento a se ignorar. Atualmente ele faz participações em series televisivas, em especial Smallville.O verdadeiro significado de Spike é referente a agulha, o que caracteriza a personalidade incisive do personagem, mas o verdadeiro nome de Spike é William, que vem das palavras vontade (will) e capacete (helmet), colocando como proteção da vontade, algo associado as características do personagem em sua segunda encarnação de volta a série – quando ele teve, antagonicamente, sua vontade de se alimentar de humanos castrada pelo chip da iniciativa.
Faith (Elisa Dushku): A caçadora renegada. Faith é de certo mais um dos personagens mais intrigantes. Depois da primeira morte de Buffy (morte técnica) uma outra caçadora foi acionada (Kendra), mas devido a sua inexperiência ela foi facilmente assassinada por Drussila e na sequência faith foi acionada. Não tendo um treinamento adequado, seu sentinela foi assassinado pouco depois de iniciado o treino, ela teve que aprender a lidar com uma vida sem valores pela sobrevivência. Claro, que não tarda até que ela seja seduzida pelo poder e torne-se uma renegada, acusada de assassinato. Apesar de tudo isso, Faith não aguenta a carga de culpa e eventualmente se entrega a sociedade, atualmente, entretanto, ela é foragida. Elisa Dushku foi uma atriz que cresceu, e muito, na série. Inicialmente colocada para alguns episódios, sua maneira despachada de atuar garantiu presença na série por uma temporada e ainda participações ocasionais. Depois do sucesso que fez em Buffy ela conseguiu emplacar duas temporadas de uma série chamada Tru Calling e no momento se prepara para estrear a nova séries de Joss Whedon, Dollhouse. O nome Faith, como já mencionado, significa Fé.
Dawn (Michelle Tratchemberg): Amada e odiada, essa é a irmã caçula da personagem principal que surgiu somente na quinta temporada. Mas como isso é possível? Dawn na verdade é uma entidade conhecida como The Key (a chave), que é um conduit mágico capaz de interligar dimensões. Ninguém sabe a extensão de seus poderes, se é que ela tem algum, uma vez que isso nunca foi amplamente explorado na série. Ela foi inserida na vida da caçadora, a partir de seu próprio sangue e imagem, para ser protegida contra a besta (na epoca Glory) e isso ocorreu de modo a nenhuma das duas saberem, através de lembranças inseridas na mente de cada um dos personagens. Michelle Tratchemberg conseguiu fazer uma personagem que todos odiassem. Mimada, chorona e irritantemente problemática, ela conseguiu passer tudo isso sem muitos problemas. Infelizmente até então ela participa de filmes sem muita expressão. O significado de Dawn é “amanhecer”, representando sempre um novo começo, refresh.
Outros personagens como Reiley, Andrew, Johnathan e Anya mereciam também descrições, mas acredito que inserí-los no conteúdo das temporadas seria o mais ideal.
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 03: From Beneath you...
Como já mencionei anteriormente a saga de Buffy – a caça vampiros perdurou durante sete temporadas televisivas e atualmente exibe sua oitava temporada em quadrinhos. Muito se passou durante esses oito anos, incuindo um desenvolvimento minucioso dos personagens por sua adolescência conturbada (mas extremamente normal, dada as circunstâncias) e o modo como são obrigados a lidar com o mundo adulto de uma maneira geral, todas as suas nuances e politicagens. A evolução da personagem principal é um dos focos mais interessantes, de certo. Como ela deixa de ser uma garota levemente fútil e abraça sua posição de comandante, nunca mudando sua personalidade central. Novamente uma excelente amostra de como Whedon é capaz de trabalhar personagens respeitando suas características básicas. As temporadas de Buffy são conhecidas por seguirem um protocolo. Em geral ela se desenvolve em pequenos plots em cima de um inimigo maior, que é enfrentado no final de cada temporada. A fórmula permite o desenvolvimento da trama de forma fechada e a inserção de fatores que ajudam ou atrapalham os protagonistas. Esses fatores inseridos, em geral não são esquecidos, servindo de referência para temporadas subsequentes.
Season 01:
Aqui temos aquela tradução básica, mas que funciona totalmente: O colegial é um inferno. Buffy foge de Los Angeles depois de colocar fogo no ginásio do colégio, numa batalha contra vampiros, e perder seu Guardião nessa batalha. Na verdade a mudança envolve uma fuga de suas funções enquanto caçadora, mas ao chegar em Sunnydale ela é confrontada por Giles, que se torna seu novo guardião, e reassume sua tarefa. Não tarda ela a descobrir que Sunnydale foi construída em cima da chamada Hellmouth (boca do inferno numa tradução literal e que é um lugar de imensa concentração mística em que, em geral, mantém as barreiras entre dimensões fracas) e que por isso detém uma larga concentração de seres demoníacos, essencialmente vampiros. Durante os treze episódios, a caça-vampiros encontra Willow e Xander, que se tornam seus fiéis escudeiros, e descobre que deve enfrentar o mestre dos vampiros (uma figura que lembra muito Nosferatu, o primeiro ddos vampiros) que deseja abrir completamente o Hellmouth e liberar as criaturas lá presas na nossa dimensão. Como se não bastasse, um livro antigo profetiza que no confronto Buffy morrerá. O que se concretize, pelo menos tecnicamente (uma vez que ela é afogada pelo mestre e salva por Xander minutos depois). O polt da primeira temporada é bastante simplório e sem muitas alterações (necessário num programa de 13 episódios para o desenvolvimento). Os diálogos são o ponto forte aqui, com várias referências a cultura pop e traduções de dramas adolescentes ocasionais para o fantástico (como o caso da mãe bruxa que controla a vida da filha completamente, ou o estudante que se torna literalmente invisível depois de anos sendo ignorado pelas pessoas de seu convívio social). Em Prophecy Girl, episódio final da temporada, temos os personagens enfrentando seus próprios medos pela primeira vez, o sucesso de seus esforços, mas de maneira análoga as cicatrizes que eles os deixam. E só para constar, vale falar do diretor Snyder, que inicialmente se mostra somente implicante para com Buffy, mais a frente ficamos sabendo que o cara tem uma agenda escondida, dando pistas dessa agenda no decorrer da temporada seguinte.
Season 02:
Passado o primeiro grande desafio, Buffy tem que lidar com um leve caso de choque pós-traumático. O fato de ter sido tecnicamente assassinada no fim da temporada passada a deixa com um comportamento averso e agressivo. Na verdade o problema é logo resolvido, mas o episódio colocado é válido ao ponto de indicar que poderes físicos não afetam a psiquê de nenhum dos personagens, ainda sucetíveis a problemas e traumas decorrentes das aventuras a que se submetem. Com isso Whedon levanta a bandeira do jogo emocional para a segunda temporada. O casal de antagonistas, apresentados logo nos primeiros episódios (Spike e Drussila), são movidos por uma paixão e luxúria incomensuráveis. Ficamos sabendo aqui a capacidade de superlativar emoções quando tomados pelo lado demoníaco da transformação vampiresca, e Spike e Dru são o maior exemplo disso, já que o primeiro é extramente sanguinário e a segunda não tem plena posse de suas faculdades mentais. Eles são apresentados como os antagonistas, mas não passam apenas de fanfarrões que decidem sacudir um pouco Sunnydale, nada que pudessem criar algo apocalíptico. O verdadeiro vilão aparece na metade da temporada, nunm episódio que dá o primeiro grande choque nos espectadores da série. Depois de sua primeira noite juntos a maldição a que Angel foi submetido (reavendo sua alma) é quebrado e seu corpo é novamente tomado pelo demônio vampiresco sanguinário que ele foi 200 anos atrás (eventos ocorridos nos episódios Surprise e Innocence). A superlatividade de emoções é novamente acrescentada a nova personalidade de Angel, com seu personagem se mostrando sádico, perverso e extremamente sanguinário (tudo isso sendo comprovado no jogo de gato e rato a que ele submete Jenny Calander cuminando em sua morte e como ele brinca com Giles colocando o corpo em sua cama coberta de pétalas de rosas). Angelus (nome dado ao personagem em seu caráter maléfico) tenta trazer o caos ao planeta liberando o demônio Acatla de sua prisão, junto com uma outra legião de demônios. Buffy tem que superar o fato de que perdeu Angel totalmente e que encarar que provavelmente terá que exterminá-lo para que isso não aconteça (Becoming part 01 and 02). A temporada termina com Willow flertando com as artes ocultas pela primeira vez (e adquirindo mais auto-confiança com o namoro firme com Oz – um lobsomem), colocando Angel sob sua maldição mais uma vez, só que tarde demais, uma vez que Buffy tem que matá-lo para impeder a vinda de Acatla. Além disso Joyce (a mãe de Buffy) tem que encarar o fato de que a filha é algo que ela não aceita inicialmente (com perfeitas alusões a confissão aos pais de homossexualismo), uma caça-vampiros. E após os eventos da batalha com Angel, Buffy deixa Sunnydale com o coração despedaçado e tentando mais uma vez fugir de seu destino (que só lhe trás dor e desilusão). Uma das principais curiosidades da segunda temporada é a vinda de uma segunda caça-vampiros, Kendra. Dado o fato de que Buffy tecnicamente morreu no final da temporada passada, a potencial caçadora da seqüência foi acionada, e a interação entre as duas se mostra não só interessante, mas de diferente dinâmicas. Kendra é morta por Drusilla no final de Becoming part 01. E Snyder continua a perseguir os Scoobies, com a diferença que aqui ele dá uma pista sobre o big bad da temporada subsequente, com quem ele trabalha bem perto.
Season 03
A terceira temporada é caracterizada pela busca pela redenção. No jogo dos acertos e erros do fim da adolescência, com a consequente graduação que daria o passe para o mundo adulto. Esse proesso se mostra ativo a todos os Scoobies (a turma resolve se batizar de Scoobie Gang), que começam a se definir e tentam encontrar seu lugar no mundo. A temporada é iniciada com paradeiro de Buffy em Los Angeles, sozinha e tentando se reiventar usando seu nome do meio, Anne (nome também do episódio). Depois de voltar a Sunnydale tentando mais uma vez lidar com seu destino (da qual não consegue escapar), Buffy encara a vinda da caçadora ativada após a morte de Kendra, Faith. Esta apresenta um passado semelhante ao the Buffy, com a perda do guardião de modo trágico, bem como suas cicarizes. O problema é que Faith não teve a estabilidade dada pelos Scoobies com a qual Buffy se suportou e aos poucos começa a mostrar todas as suas falhas de caráter. Inicialmente mostrando na forma de “espirito livre” e na sequência o não arrependimento por ter acidentalmente matado um humano normal. O modo como as duas seguem juntas e são separadas por esse evento é bastante intenso apesar de linear. Nessa temporada ficamos sabendo que o prefeito de Sunnydale, um homem aparentemente sorridente e de excelente gestão na cidade é na verdade um demônio milenar que deseja “evoluir” a partir de um processo longo e delicado sendo transformado no final em uma serpente demoníaca de mais de 10 metros de comprimento. Ainda em sua forma humana ele sai colecionando aliados, entre eles Faith, que recebe pela primeira vez um tratamento paternal adequado. É engraçado como Whedon joga com os dois personagens, os fazendo extremamente carismáticos e mostrando realmente esse relacionamento em níveis que cria uma empatia imediata com o espectador. Às vezes é simplesmente impossível odiar o prefeito Wilkins tamanha a atenção e devoção que ele dá a Faith. Ela chega a sugerir que eles simplesmente deixem Sunnydale de lado e vivam como pai e filha, coisa que surpreende, uma vez que aquilo é o que ela estava realmente procurando, coisa que nunca conseguiu com a Scoobie-gang, simples e pura atenção. O final da temporada é marcado por uma batalha decisiva entre Buffy e Faith, batalha esta que deixa a segunda em coma. O modo de vencer o prefeito, bem como uma surpresa do que aconteceria duas temporadas seguintes é entregue por Faith em um sonho compartilhado entre as duas caça vampiros. O fim da temporada também marca a partida de Angel, tendo finalmente acertado que ele nunca poderia ser feliz ao lado da caça-vampiros, uma vez que o que ele realmente procura é a remissão de seus pecados. Snyder, capacho do prefeito, acaba sendo morto ao final da temporada (engolido pela versão demoníaca de Wilkins), junto com a escola que é explodida por completo na batalha final contra o prefeito, aparentemente selando a Hellmouth (situada abaixo da escola). A temporada é também marcada pela expulsão de Giles do conselho de guardiões, uma vez que ele falha em colocar Buffy em um teste de vida ou morte, sem seus poderes, sendo distituído da posição de guardião da caça vampiros. Em sua lugar entra Wesley Winder-Price, um excelente teórico, mas sem nenhuma experiência de campo. Aqui também temos um “hint” da opção sexual de Willow, mostrada na temporada posterior, em Doppelgangland (3x16), mais uma indicação de como tudo na série se mostra coeso e fechado, mesmo em realidades alternativas. Outra curiosidade é o episódio Earshot (3x18), que foi vetado em sua exibição incial por tratar de um adolescente com uma arma na escola de Sunnydaly, uma semana após a tragédia americana em Columbine. O episódio foi exibido meses depois pela emissora e guarda um dos melhores momentos da série quando Buffy (com poderes telepáticos) descobre que sua mãe dormiu com seu Guardião, Giles.
Season 04
Na minha opinião a mais fraca de todas as temporadas. Aqui os Scoobies tentam se encaixar enquanto jovens adultos, se disciplinar. Achar o que devem fazer de seu futuro, tando no lado humano quanto no oculto. A temporada é marcada pela presença de um novo interesse romântico para Buffy, que inicialmente se mostra somente um veterano na universidade, mas logo se mostra mais do que isso (diferente do tipo “sou um soldado treinado de uma força tarefa especializada em conter e fazer experimentos com criaturas demoníacas”), na pele de Reiley Finn. A temporada é a única que não mostra um perigo evidente a Buffy ou aos Scoobies, uma vez que o inimigo da temporada é um experimento mal sucedido que age pela lógica, nada demais. Pessoalmente Buffy é a que menos passa por transformações, ela aprende que depois de Angel existem outro caras, mas nem sempre o primeiro é o mais acertado. Curiosa mesmo é a transformação que os outros membros passam. Willow depois de largada por Oz, descobre sua sexualidade em um relacionamento de long data com Tara (outra praticante das artes ocultas). Xander, encontra em Anya (uma ex-demônio, sem a menor noção de como lidar com sentimentos e tratamentos humanos de uma forma geral) uma parceira de longa data e no trabalho de construção um caminho para o futuro – uma vez que ele não abraça a vida acadêmica. E até mesmo Giles, tenta se encontrar depois de perder ambos os empregos (no conselho de guardiões e de bibliotecário da, agora destruída, Sunnydale high). Outra surpresa é o retorno de Spike como regular da série. Este é abduzido pela Iniciativa (organização militar a que Reiley pertence) e impossibilitado de atacar humanos por via de um chip instalado em seu cérebro. A temporada termina com um das maiores e melhores metáforas ao estilo “a união faz a força” quando Giles, Willow e Xander conjuram a essência das caça-vampiros passadas para uni-las a Buffy na batalha final contra Adam (o experimento errado que eu já havia citado, no episódio Primeval – 4x21). Por curiosidade essa batalha final acontece no penúltimo episódio da temporada e não no último como de costume. Isso se dá porque o último episódio é na verdade o prelúdio para a temporada posterior, na minha opinião a melhor de todas televisionadas, com a presença da primeira Slayer, personagem que passa a ser importante na mitologia da série (Restless – 4x22). Apesar de um plot central meio fraco, a série é povoada por episódios ocasionais brilhantes. Um dos melhores da série (sendo inclusive indicado ao Emmy de melhor roteiro) é Hush (4x10), onde cerca de metade do episódio não apresenta diálogos arrancando dos atores suas melhores atuações. A cena onde os Scoobies se reunem para traçar um plano de ataque é fenomenal. Outro grande ponto da temporada é o retorno de Faith, que sai de seu coma e traça um plano de vingança contra Buffy. Ela troca de corpo com a loira com um presente deixado a ela por Wilkins (This Year’s Girl e Who Are You – 4x15 e 16). A série tem seu primeiro crossover efetivo com a série Angel, uma vez que resolvida a confusão Faith foge para Los Angeles e passa a atormentar Angel. Buffy vai em seu encalço tentando neutralizar permanentemente a caça-vampiros renegada.
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 04: ...it devours
Season 05
A mais brilhante das temporadas da série, em que Buffy finalmente aceita seu destino enquanto caça vampiros e passa a procurar entender o que isso significa de verdade, se inicia com um episódio de gosto meio duvidoso. Buffy vs Drácula (5x01) relata o encontro da caça vampiros com o mais famoso de seus antagonistas. O episódio é tratado de maneira cômica descaracterizando um pouco o personagem Drácula. De qualquer maneira somos aqui apresentados a irmã de Buffy (alguém que não existia até então), o que confunde os expectadores é que essa irmã não parece ter sido inserida no momento, uma vez que compartilha memórias com todos da Scoobie gang. Ainda no início da temporada ficamos sabendo que Dawn nada mais é que um artefato mágico chamado “the Key” inserido por monges na vida da caça vampiros e humanizada a partir da própria. A temporada marca a verdadeira passagem para a vida adulta enfrentada por Buffy, marcando-a definitivamente por perdas emocionais incomensuráveis. Ela vê seu relacionamento com Reiley falhar por méritos próprios e perde sua mãe de maneira extremamente chocante no melhor episódio da série (IMHO), The Body (5x16). The Body é um episódio onde a dor é palpável, o desespero é completo e absolutamente assustador e ausência de toda e qualquer trilha sonora o torna mais triste e pesado. Nenhum elemento extraordinário é acrescentado em todo o episódio, a excessão de seu final. Somente a dor dos personagens se mostra mais assustadora que qualquer outro vilão, demônio ou vampiro, que algum deles já tenha enfrentado. O grande vilão da temporada é uma deusa demoníaca que procura desesperadamente por “the key” para abrir o portal entre as dimensões para assim voltar a sua, o problema é que isso possibilitaria a entrada de todos os tipos de seres na nossa dimensão colapsando-a por completo (sentido de aranha detectando apocalipse? Pois é). O problema é que the key agora é irmã da caça vampiros e nada consegue passar por Glory (a citada deusa). Após a morte de sua mãe Buffy tenta proteger Dawn a todo custo, uma vez que ela é o único ponto de conforto que ainda lhe apetece, quando Glory consegue capturá-la Buffy entra em choque absoluto. Sendo resgatada por Willow(The Weight of the World – 5x21). Numa busca tentando encontrar uma maneira de vencer a deusa, Buffy encontra-se novamente com a primeira Slayer. Esta lhe revela que a morte é o seu dom (“death is your gift”), mensagem que ela não entende à principio e se mostra ultrajada, achando que o único dom de uma caça-vampiros seria o modo como mata pessoas, ela só vem a compreender a mensagem na season finalle, quando se sacrifica para salvar o mundo e Dawn (The Gift – 5x22). A temporada marca também o desenvolvmento absolutamente fantástico de Willlow no mundo da magia. Esta é a única que consegue conter e machucar Glory com seus feitiços. Novamente temos um hint sobre o que isso representará para a temporada segunte, uma vez que Willow entra no campo da magia negra para enfrentar Grorificus. Outro ponto importante é o desenvolvimento enfrentado por Spike, que muda completamente sua essência, quando se mostra apaixonado por Buffy. Inicialmente provocando a slayer ele não sabe como agir até se declarar totalmente, numa cena que arranca risos descontrolados. Uma temporada forte e de impacto profundo para o que ainda estava por vir, mesmo que a protagonista da série tenha se sacrificado efetivamente no final dessa.
Season 06
A mais negra de todas as temporadas, coloca em evidência total a questão da eterna luta interna que cada personagem deve passar nas histórias de Joss Whedon. Ele descreve histórias com consequências, envolvendo os personagens em plots em que eles devem lidar com valores como depressão, desistência, vício e altos níveis de tristeza e desilusão. O engraçado é que no meio de tudo isso ele coloque um episódio músical (no maior estilo Broadway) para definir o cada personagem deve passar, enfrentar e, talvez, superar. Buffy é ressucitada (por Willow, Xander, Anya e Tara) no episódio duplo que inicia a temporada (Bargaining part 01 and 02), o problema é o processo de ressureição é traumático e deixa a protagonista em choque até, pelo menos, o terceiro episódio, quando ela revela a Spike que os amigos que a trouxeram de volta a expurgaram do céu. Trouxeram-na ao que, em sua mente, ela considera o verdadeiro inferno (“um lugar cheio de dor, incerteza, tristeza e dúvidas. Onde eu estava não havia dúvidas, tristeza ou dor. Era quente e aconchegante“ – em relato da própria) e por consequência atravessa por uma fase de auto-lamentação, apatia e profunda depressão. Isso se evidencia especialmente no episódio musical e na relação, extremamente sexual, que mantém com Spike (Smashed 6x09), mais tarde assumida pela própria como uma somente uma forma barata de lidar com a dor (ela usava o vampiro para tentar preencher o vazio que a estava tomando). Além disso ela agora deve assumir que é a pessoa a cuidar da casa, que deve assumir as responsabilidades que incluem contas e ser a guardiã legal de sua irmã, Dawn. Com isso ela deve deixar a faculdade e arrumar um emprego, que a coloca num McDonalds like. Engraçado e deprimente ao mesmo tempo, a analogia de como o emprego reflete a fraca auto-estima da personagem no momento é simplesmente fantástico. Um dos mais importantes episódios relacionado a trajetória de Buffy é sem dúvida Normal Again (6x17), quando descobrimos que Buffy no início de sua carreira como caça vampiros, decidiu se abrir com seus pais e contar o que estava acontecendo. Eles encararam isso como um possível breakdown que a garota poderiam estar tendo e resolveram interná-la em uma insituição psiquiátrica, achando que aquilo era somente fruto de sua imaginação. Durante três semanas ela evitou falar sobre o assunto e assim foi liberada, mas o que vemos no episódio é o que talvez ela nunca tenha saído de lá e que o fato da garota ter imaginado todo esse universo fantástico cheio de monstros e demônios, nos parece bem mais plausível e verossímel que alguém com força e agilidades sobre-humanas que extermina vampiros por “diversão”. O episódio termina com a aceitação de Buffy (o início de sua recuperação) de que pertence realmente a Sunnydale e que aquele outro “eu” seria somente fruto de uma contaminação por um demônio. O engraçado é que o episódio termina aberto, deixando na cabeça dos fãs a dúvida de que estariam assistindo realmente os devaneios de uma mente perturbada durante os correntes seis anos. Outra que enfrenta seus demônios interiores além dos limites é Willow. Esta, intoxicada pelo flerte com a parte negra, começa a usar magia de forma excessiva, irresponsável e, porque não dizer, viciante. A analogia de como Willow deve deixar as drogas e como realmente se comporta como uma viciada em drogas ou álcool, tem grande espaço na temporada (com direito a colocar a atriz Alysson Hanningan como co-protagonista da série). Tendo como monstro da temporada seus aspectos psicológicos, assume a parte física três nerds patetas que já haviam cruzado o passado da caça-vampiros dando problemas, e que continuam seu caminho tortuoso, agora de forma mais “organizada”. Warren (I Was Made to Love you, 5x16), Andrew (Real me 5x03) e Johnathan (presente desde o início da série mas com grande destaque nos episódios Earshot, 3x18, e Superstar, 4x17) apresentam problemas inicialmente elementares somente irritando a Scoobie Gang que nunca os leva realmente a sério, mas com o tempo os problemas que os três começam a criar tornam-se cada vez mais incisivos, até todos atingirem um breakdown absoluto que cumina em morte e bastante destruição. O verdadeiro vilão da temporada acabe se mostrando a própria Willow, numa caminho trilhado por um verdadeiro Anakin Skywalker ou Jean Grey (Darth Vader e Phoenix Negra), quando num chocante evento acaba abraçando a magia negra de forma literal e liberando um verdadeiro caos sobre Sunnydale e seus amigos. Xander é outro que passa por problemas pessoais bastante graves, dessa vez tendo que encarar seu medo de compromentimento. No momento em que se preparava para casar com Anya, ele acaba deixando a coitada no altar o que causa uma grande mudança no status quo da personagem posteriormente (ela volta a sua antiga condição de demônio da vingança). Interessante é que Xander se revela o verdadeiro herói da temporada, único capaz de salvar o mundo da enlouquecida Willow e conectar com sua dor. Spike aprofunda ainda mais sua mudança iniciada na temporada anterior, agora tendo uma relação direta com a caça-vampiros. A partir do momento em que ele verifica que está sendo usado, não se importa contanto que esteja do lado da mulher que ama, coisa que Buffy não só não concorda como rejeita qualquer foco de retorno, mesmo que aparentemente demonstre ter sentimentos pelo vampiro. Num ato desesperado de reavê-la, ele discute e chega ao extremo de uma tentativa de estupro, perguntando o porquê dela não conseguir amá-lo (resposta que se torna óbvia tamanha a selvageria do ato, uma tradução a natureza instintiva e animalesca do vampiro). Ele então parte em busca de algo que o faça conseguir a atenção do objeto de sua afeição, ele tenta reaver sua alma. Como mencionei, a temporada é extremamente negra e cheia de simbolismos e referências aos mais negros dos sentimentos humanos. Whedon trás os personagens ao ponto mais baixo em que eles poderiam se envolver, mostrando-os como eles podem ser perigosos a si mesmos (de maneira análoga a seus inimigos) quando sucetíveis a sedução e corrupção de suas almas (um paralelo muito bem orquestrado de “vocês não são melhores que seus inimigos se não fizerem a cada dia a diferença). Brilhante, mas compreendida por poucos.
Season 07
Aqui temos um retorno ao básico. No maior estilo de que para se reinventar e se reaver temos que voltar ao ponto de partida e começar de novo. Buffy volta ao ponto de auto-aceitação da sua condição de slayer e parte para treinar Dawn como efetivo membro dos Scoobies. Willow fica meses com Giles na Escócia aprendendo a controlar o lado negro que agora parte de si e como deixá-lo em modo stand-by (traduza como Rehab). Xander tanta achar-se novamente, agora sem Anya para guiá-lo, quando esta tenta achar seu caminho de volta para sua origem demoníaca, coisa que verifica ser extremamente difícil após suas profundas modificações. E Sunnydale High é reaberta. Mas o que isso tem a ver com os personagens? Para os que não lembram, a escola se situava acima da Hellmouth e resolveram (depois de quatro anos) reerguê-la no mesmo lugar, com isso temos o retorno efetivo às origens e o centro da trama passa a ser novamente a Hellmouth, agora alvo do auto-intitulado First Evil, grande vilão da temporada. Inclusive a primeira aparição desse personagem a Spike é uma das melhores da série, com ele transformando-se em todas as encarnações de grandes vilões enfrentados pela Slayer no decorrer dos seis anos anteriores (Mestre dos vampiros, Drusilla, Prefeito Wilkins, Adam, Glory e Warren), para no final encarnar a própria caça-vampiros com a frase “it’s not about right, it’s not about wrong. It’s about power”, mostrando que mais uma vez a luta é interna a o poder a que ele se relaciona é da vontade, dos fragmentos que restaram do ano anterior. O interessante é que o plano do First Evil, que abandona as regras de não interferir diretamente à sua vontade, devido a quebra na balança do poder estabelecida por Willow com a ressureição de Buffy, é simplesmente exterminar todas as potenciais caça-vampiros enquanto estas não possuem poder algum até no final restarem somente as duas atuais – Buffy e Faith, bem como todas as interligações para com elas (o Conselho dos guardiões é completamente destruído), verificando isso, Buffy se vê obrigada a proteger sua linhagem, recrutando todas as potenciais identificadas ao redor do mundo. A temporada brinca com todos os pontos da rica mitologia da slayer e rende episódios brilhantes como Conversations with Dead People (7x07), em que o First Evil brinca com a psiquê dos personagens fazendo-os conversar com pessoas de seu passado que agora jazem mortas, e Showtime (7x11), em que Buffy mostra as potenciais o significado de ser uma slayer. Mas de certo os últimos cinco episódios da série são os de tirar o fôlego, com o retorno da renegada Faith (trazendo consigo todos os problemas do passado com Buffy) e o contorno político-social que o amontoado de caçadoras acaba tomando, com direito a motin e distituição. O episódio final (Chosen, 7x22), acaba por mostrar a destuição completa de Sunnydale, a morte de queridos personagens e um sorriso enigmático da caça-vampiros quando questionada sobre o futuro. Algo que jamais saberíamos, pelo menos não até quatro anos depois.
Under your Spell: The Buffy Dossie – part 05: The neverending story
Com o fim da série televisiva, muitos fã se sentiram orfãos do universo da caça-vampiros. Muitos se voltaram para acompanhar o ultimo ano da série Angel, mas tendo visto que o conteúdo menos coeso do universo vampiresco não concentrava os mesmos elementos que a série mãe, eventualmente acabaram abandonando-a, o que cuminou em seu cancelamento naquele mesmo ano. Mas Joss Whedon, mesmo com ainda tinha toda uma temporada imaginada para a caça-vampiros, que não se concretizou, especialemente pelo desejo de Sarah Michelle Gellar de se disvencilhar do personagem que alçou sua carreira e se concentrar em papéis cinematográficos, desejava dar a Buffy um final digno da série que foi, e não somente um sorriso dúbio mal-caracterizada. Com isso, em parceria com a Dark Horse, ele trouxe o buffyverse de volta a mídia, mas dessa vez em uma impressa. Em quadrinhos.
Inicialmente planejada para quarenta números, a série começa não exatamente onde a última temporada televisiva foi finalizada, mas num ponto bem próximo. Ela respeita o desenvolvido em Angel e justifica alguns pontos que ficaram soltos ou com lacks of explanation por causa da ausência dos atores (que se negaram a estar nos episódios – novamente Sarah Michelle Gellar) na série. No primeiro arco, Long Way Home (números 01 ao 04), ficamos sabendo o que aconteceu com a Scoobie Gang, ou pelo menos parte dela, com Buffy e Xander (assumindo o papel de Watchers – guardiões) comandando um núcleo de treinamento de caça-vampiros, na Escócia. Verificamos que eles possuem na cidadela em que localizam seu quartel general, um grupo de telepatas e bruxos além de um alto aparato tecnologico. Cerca de 1800 slayers são estimadas ao redor do mundo, e Buffy contabiliza em torno de 600 trabalhando com os Scoobies em aproximadamente 10 facções (onde são revelados que Andrew comanda uma no sul da Itália e Giles outra na Inglaterra). Devido aos eventos ocorridos em Sunnydale no fim da temporada anterior, e outros eventos ainda a serem esclarecidos, a caça-vampiros situou duas cópias ao redor do mundo para trabalhar por sua segurança. Uma em Roma vivendo em uma vida de festas e outra no combatendo o submundo demoníaco de maneira mais direta. Os eventos de Sunnydale chamaram a atenção do exército Americano, identificando Buffy como uma carismática e totalmente destrutiva líder, associando a organização das Slayers com uma facção terrorista. Com isso temos os primeiros inimigos da caça-vampiros sendo apresentados, seres humanos, associados com dois de seus inimigos passados a bruxa Amy (a quem seduziu Willow e a empurrou para o mundo negro da magia) e Warren (a quem todos acreditavam estar morto (teoricamente assassinado por Willow nos episódios finais da sexta temporada). Uma importante informação também transmitida nesse primeiro arco (escrito pelo próprio Joss Whedon) é o fato de Dawn ter se tornado uma gigante, com detalhes ainda a serem esclarecidos.
O segundo arco, No Future for You (números 06 ao 09), trás uma aventura de Faith e Giles tentando identificar e exterminar uma caça-vampiros renegada que pretende assassinar Buffy com a ajuda de um poderoso bruxo, como comparsa. Esse arco é escrito pelo escritor de Y: The Last Man, Ex-Machina, Runaways e roteirista de Lost, Brian K. Vaughan. Genevive, a slayer renegade, é neutralizada, mas como Giles traçou esse plano sem o conhecimento de Buffy isso levou a quebra da relação entre os dois (que no momento não estão se falando). O arco foi finalizado definindo o novo status quo de Giles e Faith, colocando-os como parceiros na caça contra slayers renegades (evitando que cheguem em lugares tâo longes quanto a própria Faith e Genevive chegaram). O interessante desse arco é ver como as coisas funcionam aos olhos de Faith. Por exemplo, temos um flashback da batalha entre Faith e Buffy no final da terceira temporada e vemos como os fatos foram tomados pela renegada. Outro ponto é como a relação da mesma com o Prefeito Wilkins era vista pela garota. Mesmo sabendo que ele era mal e que tinha as piores intenções, ele a amou como uma filha e ela ainda pensa nele com a mesma ternura. O final do segundo arco apresenta alguém que provavelmente se revelará o grande vilão da temporada, mas que até então se limita a observar o andamento das facções, bem como mantém um estreito contato com o governo americano.
Na sequência entre o segundo e terceiro arcos, Whedon escreve dois números soltos de grande importância para a trama de uma maneira geral. Em Anywhere But Here (número 10), temos Buffy e Willow encarando novamente seus medos, mas dessa vez interagindo uns com os outros. Descobrimos que a namorada de Willow, Kennedy, nâo faz parte de nenhuma das facções pelo receio que ela tem de que Kennedy morra, uma vez que ela culpa Buffy pela morte de Tara. Isso afeta de forma profunda a relação entre as duas, mesmo que elas se mostrem cooperando lado a lado em batalhas.
No arco seguinte, escrito por Drew Goddard (roteirista de Cloverfield e de episódios de Lost), Wolves at the Gates (números 12 ao 15), temos o retorno de alguém inesperado: Drácula. Tendo que enfrentar vampiros que atacam o quartel general escocês e roubam a Scyte (poderosa arma de Buffy que assemelha-se com um machado com uma estaca na extremidade posterior). Mas esses vampiros não são comuns, uma vez que conseguem se esvair na forma de fumaça e se transformar em animais (tais como cães). O único ser capaz de fazer isso seria o mais antigo dos vampiros. Xander é enviado para coletar informações do próprio senhor da Transilvânia, que toma o fato de outros vampiros estarem compatilhando suas perícias como afronta pessoal e toma seu lugar no confronto. Mais tarde é descoberto que uma bruxa está entre os vampiros e que o verdadeiro plano deles é desfazer o feitiço de Willow, desativando as potenciais que agora são slayers. Com a ajuda de Drácula, Dawn e Willow o grupo é vencido em Tóquio. Numa das melhores cenas da temporada, temos a gigante Dawn atacando o bairro de Akihabara, tal qual os filme japoneses com monstros extraordinários (em uma analogia clara ao filme de Goddard, Cloverfield), com direito a lines no mais estilo “taí algo que não se vê todos os dias”. Wolves at the Gates é também marcado pelas experiências sexuais que Buffy decide compartilhar com uma outra garota de seu esquadrão, Satsu. Mesmo afirmando que não é homossexual, ela decide curtir o momento, sendo descoberta na sequência por Xander, Reneé, Andrew, Willow e Dawn.
No momento está para ser iniciado o segundo arco escrito pelo próprio Whedon está para ser lançado e deverá fechar as pontas soltas com uma de suas crias quadrinescas com o Buffyverse, Fray (que teoricamente seria a última das caça-vampiros). A história se passa num futuro não muito longínquo da caça-vampiros, mas em universo onde os seres demoníacos foram totalmente expurgados do planeta. O retorno de um deles ativa novamente a presença de uma caça-vampiros. E esta seria Fray. Whedon deseja fechar a história da última das slayers colocando-a no universo canônico de Buffy. Até então não foram divulgados muitos detalhes da trama. Sabe-se somente que o arco seguinte será desenvolvido por Whedon e (temam nerds) Jeph Loeb (escritor de quadrinhos e uma das mentes por trás da série Heroes). Niguém sabe do que tratará realmente a trama, mas no mínimo (conhecendo Loeb) vai ser do assassinato de algum dos personagens, cujo passadinho sujo será revelado e não acrescentará em nada a trama. :-p
E um modo geral a revista mantém viva todo o lote de referências pop e coesão do universo da série. Várias canções e elementos de cultura pop (como o personagem de quadrinhos Nick Fury da Marvel Comics) são citados, homenageados ou descontruídos no decorrer da temporada, exatamente como na série. A profundidade dos personagens continua, inclusive no que diz respeito a enfrentar suas próprias consequências. Num dos números mais recentes descobrimos que não somente a destruição de Sunnydale fez a figura de Buffy ficar temerosa de uma maneira global, mas também um arquitetado assalto a um banco suíço. Tudo foi traçado de modo a não causar nenhum mal (uma vez que Buffy verificou que o banco possuia seguro) mais profundo, mas isso arregalou os olhos do governo americano de modo a pensar que por ter poderes, o grupo poderia agir acima da lei, se colocando além do bem e do mal. De maneira análoga, mesmo que o dinheiro fosse necessário para todo o aparato em que as facções se suportam serem construídos, o estilo Robin Hood de ser quebra totalmente a estigma da personagem, que agora pensa somente enquanto uma estrategista militar, realmente líder de uma facção terrorista. As consequências desses atos ainda deverão cair sobre o grupo de forma pesada e a ser discutido e dissecado em números posteriores. No momento nos aproximamos da primeira metade e coisas deverão começar a ser definidas em breve.
A continuação de Buffy em quadrinhos foi uma das maiores sensações do mundo quadrinesco dos últimos dois anos, colocou uma das editores do time B (que não Marvel ou DC Comics) no tpo de vendas ocupando sempre um espaço entre o top 10 mensal. O relançamento foi descrito em diversas listas como um evento pop de destaque em 2007 e 2008, em revistas como Wizard (especializada em quadrinhos) e Entertainment Weekly (especializada em midias em geral). O sucesso também alcançou o mundo dos prêmios, com diversas indicações para as séries, incluindo Melhor Escritor, para Joss Whedon e Brian K. Vaughan, e melhor série.
No geral, Joss Whedon nos presenteia com mais um espetacular produto de consumo pop. Extremamente interessante para novos viajantes e nostalgico ao extremo para os fãs orfãos desde o fim da série em 2003. Os roteiros continuam com uma qualidade inimaginável (OK, OK, talvez eu desminta isso depois do arco do Loeb), os diálogos afiados como sempre e serviu como experimento para mostrar que a continuação de outras mídias pode sim ter uma nova vida em quadrinhos. Vale pelo produto em si, pelo fato de se ler uma boa história ou somente pelo saudosismo. Vale pelo fato de um cara estar no momento terminando a décima oitava página de um artigo que ele demorou um mês para escrever e ainda acha incompleto. Bem, vale pelo fato de que se alguém se interessar, ler e gostar, terei o fato de dever cumpri |